ILPI► INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS - A DIFÍCIL DECISÃO


I - O tempo não para e, aos poucos, leva  a juventude e o seu poder de autogestão.  O que fazer diante da constatação de que não é mais possível ficar ou deixar alguém sozinho?    
O assunto é delicado! Ao final da matéria deixe-nos o seu comentário...
Levar pai ou mãe, um tio ou um amigo... para a permanência numa instituição, via de regra, sempre pode gerar o sentimento de culpa. Especialmente, quando lembramos que eles nunca nos abandonaram, mesmo nos momentos mais difíceis. Igualmente, ser levado ou se deixar levar para uma instituição, mediante a constatação do inevitável: que o tempo passou e já não é mais possível o gerenciamento pessoal, também não é algo fácil. Conversar sobre isso, quando ainda se tem tempo para uma tomada de decisão consciente, pode ser uma alternativa para minimizar as dificuldades e fazer tudo da forma mais digna e afetuosa possível. Essa matéria é um convite para uma conversa que não deve ser adiada...
Um idoso... nas pistas de caminhada, fazendo compras nos shoppings, reunindo amigos e lotando uma fileira inteira no teatro, bailando em salões com os hits da sua juventude, degustando comidas gostosas em bons restaurantes, fazendo check-in em aeroportos, ou ainda,  aqueles mais "caseiros", rodeados por seus familiares nos finais de semana, buscando os netos na escola, se deleitando com um filme ou lendo um bom livro num cantinho só seu... Essa é a imagem que condiz com a longevidade, diante do aumento da expectativa de vida para as pessoas acima de 60 anos. Possivelmente, esse é o ideal de terceira idade para todos nós. Porém... o tempo é o senhor de tudo e, como dizia um poeta, ele não para!

II - A independência do idoso se vai... O que fazer? Como cuidar? Onde e com quem deixar?  
Como dissemos, o tempo leva tudo e leva junto o vigor da juventude. E aí... o corpo ou a mente se rendem ao envelhecimento e aquele idoso tão independente, já não é capaz fazer tudo o que fazia, começando a demonstrar incapacidade para gerir a própria vida. Alguns chegam a ter sérios comprometimentos de segurança e realização de atividades para seus cuidados básicos, como alimentação, higiene e saúde. Na opinião da grande maioria das pessoas com as quais conversamos (que parece traduzir um sentimento), quando isso acontece, o ideal seria que todos pudessem permanecer em suas casas (no espaço e no cotidiano vividos até então) por toda a velhice, tendo entes queridos ou, na ausência deles, cuidadores profissionais, que pudessem dar o suporte necessário para que tudo ocorresse da maneira mais tranquila possível. Nesse contexto, encontramos pais, tios, avós... que não gostariam de se tornar motivo de preocupação para filhos, netos e sobrinhos que, geralmente, estão numa fase na qual precisam se dedicar à estruturação de uma carreira profissional, à formação de uma nova família e à construção de seu patrimônio. Também, encontramos filhos, netos e sobrinhos que, apesar de amarem seus anciãos, não dispõem de tempo ou de estrutura para garantirem ao idoso, a oportunidade de envelhecer em casa, rodeado dos seus e com boa qualidade de vida. Há ainda o caso da pessoa que não tem mais qualquer um dos familiares e não quer ou não pode depender da solidariedade de amigos, de vizinhos ou de meros desconhecidos, para a realização de ações da vida prática no seu dia a dia. Outro ponto de consideração é o fato de que os cuidadores, como os demais trabalhadores, necessitam de folgas periódicas e de substituições, gerando uma circulação de pessoas que pode vir a se tornar um incômodo na casa. Acrescido a isso, vem o preço desse tipo de atividade profissional e das atuais demandas trabalhistas (justas em nossa compreensão) que encareceram ainda mais o serviço. Diante desse quadro, a busca por uma  ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos) pode ser uma alternativa para minimizar os problemas que fazem parte da realidade desse acontecimento.
Hoje, ainda há espaços para a internação de idosos que são estruturados nos modelos dos antigos “asilos”, que pareciam depósitos de pessoas, remetendo mais à ideia de finitude do que  à ideia de proteção e cuidado. Mas, a boa notícia é que isso vem mudando.  Já há espaços e propostas (tanto no setor público, quanto no privado) que agregam à estrutura de proteção e  cuidados com a saúde em geral,  as ações de estímulo ao corpo e à mente dos idosos atendidos, como também o incentivo à socialização e vida cultural , além do carinho e vigilância para que ninguém se sinta preterido ou abandonado por funcionários ou por familiares, quando ali permanecer; quer seja por um período (durante a ausência temporária do cuidador ou do familiar), quer seja na qualidade de morador permanente. Outra notícia relevante, é que essas instituições estão sendo estruturadas em espaços mais aconchegantes, amplos, arejados, arborizados ou com jardins convidativos, abrigando um número menor de pessoas, buscando similaridade com o ambiente de uma casa. Completando esses argumentos, para funcionar como ILPI, o estabelecimento tem que contar com uma equipe idônea de funcionários, que vão desde os de vínculo permanente, como: médico, enfermeiro, nutricionista, fisioterapeuta, cuidador, etc., até os profissionais eventuais, como arteterapeuta, musicista, psicólogo e outros. Outro destaque: a ILPI deve atender a uma legislação e tem órgão fiscalizador para coibir o mau atendimento.

III - Fomos visitar uma ILPI e chegamos de surpresa... Confira o resultado dessa nossa visita...
Antes de escrevermos sobre esse assunto nos dispusemos a fazer uma visita surpresa numa dessas instituições. Optamos por uma instituição privada, devido ao fato de que queríamos o "efeito surpresa" e, em se tratando do setor público, dificilmente conseguiríamos isso. Buscamos, em nossa região, o nome de uma instituição que propagasse ideias novas e condizentes com o que considerávamos importante para um serviço de qualidade. Propositadamente, procuramos chegar logo após o contato inicial. Fizemos tudo da seguinte forma: 



Ligamos, nos identificamos falando a respeito do assunto da nossa matéria para o blog e, diante da receptividade,  nos dirigimos para o local logo em seguida (podemos dizer que, praticamente, chegamos de surpresa) e fomos recebidas por um dos proprietários. Ele respondeu nossas questões, andando pelo espaço, procurando deixar que observássemos in loco o que nos esclarecia e ainda nos colocou que faz questão de saber, além do nome de cada pessoa que ali reside, a história pessoal e algumas particularidades que vão se evidenciando no convívio. Isso foi fácil de constatar, pois, além de todas as questões estruturais e de suporte que verificamos, a cada ambiente que adentrávamos, ocorria a imediata reação dos residentes buscando contato com o proprietário, requisitando-o com manifestações de carinho e evidente proximidade. Fomos avisadas sobre os horários de visita, que eram estendidos ao longo do dia, podendo o familiar ter mais possibilidades para passar momentos com o idoso. Também nos foi esclarecido que há todo um cuidado, por parte da gestão da instituição, com o estímulo para que a família esteja presente na vida dos residentes. Outro fator que parece corroborar para a idoneidade da ILPI visitada e de algumas outras pesquisadas, é a possibilidade de acompanhamento do atendimento prestado aos idosos, por meio de câmeras instaladas nos diferentes espaços, proporcionando ao familiar o acesso irrestrito à imagens de tempo real, por meio de senha própria.

IV - Ao  ter que optar por ir ou deixar alguém numa ILPI,  mesmo diante de uma boa instituição, a dúvida, o medo e a culpa podem chegar primeiro. Como lidar com isso? 

Sabemos que é inevitável um sentimento reticente, para quem tem que levar um familiar para a internação numa ILPI, principalmente ao lembrarmos que foram eles que, muitas vezes, passaram horas infindáveis à nossa cabeceira, ou que conduziram nossos primeiros passos na vida, nos dando suporte para chegarmos onde estamos. Mas, quando a necessidade se fizer presente, é fundamental que todos tenham discernimento para uma atitude consciente, que propicie a opção por um local onde possam fazer o melhor para nossos entes queridos, da forma como gostaríamos de fazer nós mesmos, caso não estivéssemos circunstancialmente impedidos. Outro lado dessa mesma moeda é o do próprio idoso. Ele, diante da ida para uma ILPI, muitas vezes passa por sentimentos que vão da rejeição (ideia de ter se tornado um “estorvo”) até o sentimento de perda do sentido da vida, ao ser tratado (ou sentir-se) como impotente face ao que se mostra inevitável.
Não estamos aqui querendo “enfeitar o pavão”, como se diz popularmente. Voltamos a destacar que a permanência do idoso em sua casa e/ou diariamente ao lado daqueles com os quais convive é, também na nossa compreensão, a forma mais bonita de envelhecer. É assim que gostaríamos que ocorresse conosco, com os nossos familiares, com todos... Entretanto, as famílias já não são tão numerosas podendo propiciar a divisão dos cuidados necessários para essa demanda e, tanto os homens quanto as mulheres, precisam trabalhar fora e não há como alguém abrir mão do emprego para a dedicação necessária ao atendimento das necessidades do idoso. Assim, a ILPI pode se configurar como uma alternativa para que o idoso tenha como envelhecer com o atendimento das suas necessidades e manutenção da sua dignidade. Além disso, a questão dos laços afetivos não será tão afetada, se a família se fizer presente nas visitas e levar seu parente para passeios e retorno ao lar nos finais de semana, reuniões em família, datas comemorativas e férias... ou seja, sempre que houver uma oportunidade de trazê-lo para perto. Uma instituição idônea também auxiliará nisso, pois está dentro de suas atribuições o controle para que o residente não seja abandonado à mercê da ILPI. 

 V- ILPI...É preciso conversar sobre essa possibilidade, muito antes de chegar a hora da decisão
A ideia  dessa matéria é trazer o tema para a discussão, enquanto ainda há tempo e disposição para reflexões sobre o assunto, sem a pressão dos sentimentos negativos que podem rondar a todos quando o fato se apresentar como uma necessidade. Sendo assim, para o idoso, a decisão de ir ou de se deixar levar para uma IPLI, poderá acarretar mudanças em relação ao cotidiano vivenciado até então. Porém, isso não precisará significar a desvalorização ou perda dos laços construídos, que continuarão presentes, e certamente ajudarão na adaptação ao novo contexto de vida. Para os familiares e amigos, a decisão de levar um ente querido para uma ILPI, com o devido tempo para ser discutida, poderá ser menos dolorida  para ambas as partes. Possivelmente, nessa condição, a culpa ou rejeição poderão dar lugar aos combinados e à confiança de que as pessoas estarão juntas sempre que possível. A hora é agora! Consigo ou com os seus...Vamos conversar? 
***Se você tem alguma experiência ou opinião acerca do tema, deixe-nos o seu comentário abaixo. Isso também poderá servir de referência para outros leitores. 

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