COMO EVITAR ACIDENTES NO TRÂNSITO. PARTE II – O IDOSO COMO MOTORISTA


Até quando é possível dirigir com segurança na terceira idade? 

Manter a autonomia e a independência com qualidade de vida é o que desejamos. Dirigir um carro, com certeza, nos permite muito mais mobilidade e liberdade. Porém, temos que ter consciência das mudanças físicas e possíveis limitações pelas quais passamos com o amadurecimento, principalmente após os 60 anos e assim progressivamente. Dirigir veículos requer muita atenção, concentração e boa forma física e mental. Geralmente, quando esse tema é abordado, o foco é o motorista. Mas... e o carro? Ele deve ter alguma diferença para o motorista idoso? O que fazer para continuar “pilotando” com segurança ao longo do envelhecimento e como saber e o que fazer quando chegar a hora de parar?  

O primeiro passo para uma direção segura e responsável na maturidade, é o mesmo indicado para todos os motoristas, porém, com maior frequência: cuidar da saúde fazendo check-ups periódicos, com atenção especial para a visão, audição, força muscular e flexibilidade. Com o passar dos anos, os olhos perdem a elasticidade ficando mais sensíveis aos ofuscamentos e a audição, via de regra, não permite a percepção de alguns detalhes que podem fazer a diferença na hora da tomada de decisões rápidas ao volante. Para os motoristas em geral, jovens ou idosos, a possibilidade de sofrer um acidente é cerca de três vezes maior à noite que de dia. Com certeza, especialmente na terceira idade, dirigir o menos possível à noite e também em condições de baixa visibilidade, pode ser um diferencial positivo. Outra observação importante,
principalmente nessa fase da vida, diz respeito às medicações que são utilizadas. Algumas podem ter como efeitos colaterais a interferência ou diminuição da atenção, da concentração e dos reflexos. Aliás, por falar em “reflexos”, fazer atividade física orientada, principalmente as que estimulem a manutenção da força muscular e o alongamento, pode prolongar a competência física para a direção permitindo mais firmeza e agilidade ao volante.
Tal qual o motorista, o carro também merece muita atenção, para servir aos sexagenários ou mais. É aconselhável trocar de carro com o passar da idade, optando, entre as ofertas no mercado, por aqueles que ofereçam mais itens de segurança desde modelos básicos e facilitem o manuseio de comandos e manutenção. Destacamos alguns quesitos a serem considerados na hora da compra de um carro que seja mais propício para os idosos: trava e vidros elétricos com acionamento na chave; assentos e volante ajustáveis em altura; painel de comandos legível com cores que se destaquem; espelhos retrovisores grandes e fáceis de ajustar; direção assistida (hidráulica, elétrica, etc.); câmbio que dispense o uso da embreagem se for possível financeiramente; e, mais especificamente falando, maior compatibilidade para a adaptação de equipamentos para quem tem algum tipo de deficiência (lembrando que cada deficiência requer uma adaptação específica de acordo com o relatório médico).
Agora é hora de falarmos sobre o carro e o motorista juntos: a direção. E, para isso, vamos relembrar algumas normas básicas de conduta ao volante, para que sejam evitados riscos desnecessários:
- Sempre usar cinto de segurança, mesmo em distâncias curtas.
- Usar setas ao fazer manobras.
- Evitar dirigir sozinho, se não sentir-se à vontade para isso.
- Redobrar a atenção nos cruzamentos e conversões (direita/esquerda).
- Ter certeza que está na faixa de trânsito correta.
- Não parar no acostamento em dias de chuva ou neblina, procurando um posto ou área destinada para isso, recuada do acostamento.
- Ao ter que usar o acostamento, preferencialmente, parar longe das curvas ou declives acentuados.
- Ao parar o veículo em caso de pane, não ficar na via ou próximo dela para esperar por socorro e sinalizar a parada com distância segura para que os demais percebam.
- Manter distância suficiente do veículo da frente.
- Ter mais atenção nos dias chuvosos, pois as vias ficam escorregadias.
- Manter o farol baixo aceso nas estradas durante o dia, independente da condição do clima e em outros locais caso haja chuva ou neblina (usar o farol de neblina se o carro tiver).
- Trafegar preferencialmente pela mão direita das vias, usando a esquerda somente para ultrapassagens e deixando-a livre para os motoristas que andam numa velocidade maior.
- Evitar qualquer tipo de distração com rádio, com o manuseio de ar-condicionado, celular, GPS e até com a lembrança de problemas pessoais, se estiver ao volante; essas situações podem tirar a concentração no trânsito. Aparelhos como celulares e GPS auxiliam na sua localização e segurança, mas devem ser utilizados com o veículo parado num lugar seguro.
- Escolher locais para estacionar com segurança.
- Usar acessórios necessários para afinar a percepção e segurança, como óculos, aparelhos auditivos e calçados adequados.
Mesmo aplicando essas regras e conhecimentos de segurança, pergunte às pessoas de sua confiança sobre como você está ao volante. Procure prestar atenção nas suas condições reais como motorista e: se apesar de ter seguido todas as recomendações,  notar que tem problemas de visibilidade; se os pequenos acidentes, quando está ao volante, se repetirem com certa frequência; se seus reflexos se mostrarem mais lentos parecendo ou efetivamente interferindo na sua capacidade para dirigir... não se irrite, não se sinta desvalorizado ou triste. Aceite essas limitações que são naturais no ciclo da vida e chegam para todos. Olhe ao seu redor, você não é e nem será o único a passar por isso, especialmente nos tempos atuais onde a velhice está ficando cada vez mais longeva. Assim, vá se preparando para o momento de tomar a decisão de parar de “pilotar”; não espere que seja preciso as outras pessoas falarem isso para você. Veja esse acontecimento com calma, pois é uma exigência para preservar a vida que, ficando cada vez mais longa, ainda pode ter muitas outras coisas boas para serem feitas. As belas paisagens ou as curiosidades que a movimentação do trânsito apresentam, nem sempre puderam ser apreciadas por quem passou grande parte da vida atento ao volante; mas,  podem se configurar como nova perspectiva para quem é recém chegado ao banco do passageiro. Nossa ideia é sempre motivar a busca por novas possibilidades de viver e bem!
Alertamos sobre esse assunto, para destacarmos que o trânsito é complexo e que, para evitar acidentes, é preciso que sejamos responsáveis. Responsabilidade é para todas as idades! Pense nisso...

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